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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal!!!


Feliz Natal!!!, upload feito originalmente por Renan Costa.

Talvez seja como escrever um cartão, destes que compramos na papelaria, não sei ao certo. Mas o que eu sei é que em situações tais costumo nunca saber o que escrever, até o momento em que o escrever se torna inadiável, o que é o caso.

Estou há dias pensando em um post de natal para este blog, e simplesmente não tinha ideia de como fazê-lo, de como ao menos começá-lo, até que há pouco menos de dois minutos veio-me este lampejo. Começo pelo fato de que não sei como começá-lo, e assim, ao menos posso introduzir um pretexto para o texto – mas deixando claro não ser este o tema principal do post, até porque esse é um tema mais do que recorrente nestas páginas. E lá se vão dois parágrafos...

Pois bem, deixando claro que a falta de criatividade deste interlocutor não é o tema sobre o qual se discorrerá no post de hoje, passo à questão de fundo que me pôs diante do teclado em um dia como hoje: nossos (acho que falo por todos que mantem o blog quando escrevo isto) sinceros votos de um feliz natal e um ótimo ano que em breve se iniciará para todos, caros leitores.

Também creio que posso falar por todos aqui que natal é bem mais que troca de presentes e comida que só se vê uma vez por ano – por que não temos rabanada o ano inteiro? –, pelo que realmente nos representa. O símbolo maior do natal não é, nunca foi, nem nunca será o papai noel, os elfos que vivem em regime de semi-escravidão no polo norte fazendo brinquedos ou as filas dos shoppings, que aliás, a cada ano se enfeitam cada vez mais cedo - daqui a pouco o papai noel vai chegar lá junto com o coelho da páscoa pra poder guardar seu lugar.

Aos leitores que não creem, perdoem-me a minha falta de laicidade, mas quem realmente é o rockstar do natal é aquele cara que trinta e três anos depois desta data que comemoramos amanhã morreria na cruz pela humanidade. No mais, é tudo supérfluo, coisa menor.

Até porque "seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem" talvez seja uma das maiores mentiras da humanidade. Mentira maior que essa só os panetones de Arruda lá em Brasília. Posso afirmar com absoluta certeza: não há democracia no natal. Não neste natal que praticamos hoje, baseado no consumo e em um pragmatismo excessivo, em que cada vez mais valores e crenças - sejam elas quais forem - se perdem. Mas talvez isso seja papo pra outro post.

Pois bem, é isso: tenham todos um feliz natal. E ponto.

Ah, pode ter certeza: não estou ouvindo Simone, a cantora oficial do natal.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Res Publica

Ontem foi o dia da proclamação da República, feriado que passou despercebido, já que caiu num domingo mesmo. Mas a data é pretexto para o post de hoje. O Brasil vive um momento de grande euforia, no plano nacional e, principalmente, internacional. Ganhamos a sede da copa, das olimpíadas, Lula é o cara pro Obama, viramos cartaz de filme-catástrofe (2012) e aparecemos até no programa da Oprah. E semana passada ainda fomos capa da revista semanal “The Economist”, talvez a mais importante revista em circulação nos dias de hoje – pegou o lugar que até bem pouco tempo era da “Time”.

A matéria em questão, sob o título “O Brasil decola”, exaltava o Brasil como o país do futuro, slogan mais do que conhecido para nós brasileiros. Só que ao contrário das eternas previsões que nunca se concretizam, a revista deu um prazo. O futuro tão almeijado por nós brasileiros chegará em cinco anos, quando o Brasil se tornará uma das cinco maiores economias do mundo. A revista exalta a potencialidade do Brasil, e diz que o único grande empecilho a essa conquista nospróximos cinco anos é o nosso próprio orgulho.

Acho que nesse ponto a publicação se enganou. Digo isso porque, embora realmente sejamos um povo muito orgulhoso de nós mesmos, das belezas naturais de nosso país, da alegria da nossa gente – parece até propaganda do Ministério do Turismo –, a verdade é que o brasileiro é o mais descrente nisso tudo, basicamente por causa dos nossos representantes. Acho que é consenso geral entre a grande maioria dos brasileiros médios de que tudo isso que aparece na revista, pragmaticamente previsto para se realizar daqui a cinco anos, é uma grande utopia, que por conta da falta de confiança que existe hoje nos nossos políticos, e a decorrente crise no sistema de democracia representativa, mais do que isso, torna-se uma distopia – uma deturpação daquilo que é quase inatingível.

Enquanto as forças oligárquicas que dominam a política regional de nosso país andam de mãos dadas com o presidente Lula, num gritante contrassenso, não vejo como isso tudo pode se realizar em tão pouco tempo. É um contrassenso que as pessoas em geral não veem, pois nunca antes na história deste país tivemos um presidente tão popular. Só pra constar: ele é a 33ª pessoa mais poderosa do mundo, à frente inclusive de Nicolas Sarkozy (marido de Carla Bruni e presidente da França) e Osama Bin Laden (?!?). e ainda por cima, em janeiro será lançado um filme sobre a vida do cara, sendo que ele ainda estará no poder – será que tem alguma ponta da Dilma no filme? E olha que já vi um trailer do filme, e parece que será muito bom, pra chorar mesmo.

O grande problema é que esse endeusamento do presidente Lula, que hoje parte até lá de fora, esconde nossa visão pra muita coisa aqui dentro que não está certa.

O que isso tem a ver com a data em questão? A palavra “República” vem do latim, res publica, que quer dizer coisa pública, que é de todos. Nossos representantes estão mesmo cuidando do que é de todos?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Blecaute


Blecaute, upload feito originalmente por Renan Costa.

Minha noite de ontem resumida nessa foto. Passei a noite com os ouvidos no rádio, buscando notícias - ou um alento que fosse, já que não tinha o mínimo sono -, o que só foi possível por se tratar de um celular, já que graças aos tempos modernos em que vivemos rádio de pilha é coisa do passado.

O Brasil é um país de matriz energética reconhecidamente limpa, dependente majoritariamente de energia produzida por usinas hidrelétricas, o que é muito positivo, se pensarmos em aquecimento global, protocolo de Kyoto desrespeitado etc.

Sinceramente não espero que mude essa estratégia de se usar energia limpa - de fato isso é muito algo muito bom, ainda mais para um país em desenvolvimento como o Brasil. Mas pensar em energia limpa não impede os sucessivos governos de diversificá-la, adotando outras matrizes energéticas igualmente limpas, e que possam dar sustentação ao atual modelo - nao se trata de trocá-lo, mas apenas torná-lo mais seguro.

Ontem pode-se perceber que esse sistema interligado é altamente vulnerável, e um pequeno problema pode causar um efeito em cascata.

Enquanto isso, ouvia no rádio a tragédia anunciada: pelo menos dez estados sem luz, assim como também o Paraguai, ouvintes mandando mensagens pelo celular e pelo twitter relatando casos de arrastões, assaltos, perigos nas ruas, o caos! Nesse meio tempo, eu jogava sudoku no celular...

sábado, 24 de outubro de 2009

Como ficar famoso e aparecer na TV...


Alguém dormindo no ônibus, upload feito originalmente por Renan Costa.

Você deve estar se perguntando o que essa foto tem a ver com esse título, mas eu chego lá. Era por volta de 21h30, se não me falha a memória. Caía uma chuva torrencial. O ônibus em que estava passava nesse exato momento pela praça do pedágio da ponte Rio-Niterói. Eu comemorava, pensando que poderia chegar alguns minutinhos mais cedo em casa - pra quem faz essa viagem todo santo dia (Niterói - Rio - Niterói), alguns minutos de diferença é lucro - já que na semana anterior eu tinha passado pelo mesmo local por volta de nove e vinte, e por isso consegui chegar em casa cedão.

"Dez minutos de diferença não é quase nada", pensei. "Se o trânsito estiver igual ao da semana passada chego em casa rapidinho". Qual não foi a minha surpresa ao sair da ponte e subir aquele viaduto que leva à Marques de Paraná - e consequentemente à Icaraí e Santa Rosa - e depara-me com o trânsito todo parado. Carros e mais carros iam chegando e parando ali, naquele exato lugar sem escapatória.

Como disse, não era muito mais que 21h30, e ali fiquei por um bom tempo. A forte chuva que caía - já comentei sobre a chuva? - repentinamente cessou, reduzindo-se a meros chuviscos, mas ainda assim não havia roda que se movesse. Ali fiquei por um bom tempo, imaginando que se tratasse de um acidente, e que dentro de muito em breve o carro acidentado seria retirado, e as pistas liberadas, assim como o tráfego de carros. Mas que nada.

Algumas pessoas mais esbaforidas não conseguiram esperar sequer meia hora dentro do ônibus - de fato, a possibilidade de ter que esperar horas sentado em um ônibus não deve nada a qualquer método chinês de tortura. Mas pensei que tudo ia se resolver dentro de poucos minutos, que o trânsito se normalizaria e que aquelas pessoas se arrependeriam depois. Que nada: eu me arrependi de não ter levantado antes.

Eis que, uma hora e meia depois de sentado no mesmo banco do ônibus - pois é, quase acabei com a bateria do meu celular, na tentativa de ouvir todas as músicas possíveis, e quando findas estas, todas as rádios que tivessem algo interessante, o que nestas condições se mostra algo quase impossível -, sem que este se movesse um milímetro sequer em direção à minha casa, decido levantar e seguir viagem a pé. "Não é possível que um acidente de trânsito atrapalhe tanto a vida das pessoas", pensei.

Levantei-me e segui na mesma rua, até mesmo para saber do que se tratava, que impedia tanto assim o prosseguimento regular da minha viagem. O cenário que encontrei era devastador: carros tortos no meio da rua, em uma tentativa de retornar - vã, eis que a fila de carros atrás já se estendia até a ponte - e a rua completamente alagada, em nível tal que sequer os ônibus se atreviam a atravessar.

Rapidamente encontrei uma rua paralela que estava seca e segui o caminho das pessoas que, assim como eu, largaram seus lugares nos ônibus e decidiram seguir a pé. A imagem lembrava desses filmes de zumbi ou coisa do tipo, em que a cidade está completamente vazia, e você só vê a fila de cidadãos incautos, ainda não contaminados pelo suposto vírus que dizimou toda a sociedade, tentando buscar um abrigo, mas na verdade caminhando para a morte certa. Ainda bem que era a vida real...

Dalí a história não apresenta nada de mais: segui até o terminal de ônibus no Centro de Niterói - ou seja, andei pra c@#$%&*aralho - e peguei um 53, que por sorte estava parado na hora em que cheguei no terminal. As pessoas na minha frente na fila para pegar o ônibus me disseram que estavam há 50 minutos esperando o ônibus e nada - pelo menos dessa eu escapei.

Ainda peguei um trânsito na Gavião Peixoto, em Icaraí - detalhe: já era quase meia-noite - mas consegui chegar em casa, são e salvo, por volta de meia-noite e quinze, mais ou menos.

Acaba aí minha história. Mas o que isso tem a ver com o título lá em cima? Das duas uma:

1) Fui acordado pela minha mãe, quando ainda passava "Bom Dia Rio" - como se não bastasse a hora em que eu tinha ido dormir -, porque eu apareci na TV. Justamente na matéria em que mostravam os desastres ocorridos na cidade de Niterói durante o temporal de segunda-feira. Por conta do crescimento desenfreado que a cidade de Niterói teve nos últimos anos, com muitas construções, favelização etc, sem o devido acompanhamento pelo Poder Público - fosse restringindo o número de pavimentos dos prédios a um número adequado para a cidade, ou fiscalizando construções irregulares, ou alargando as ruas e cuidando do sistema de captação de água das chuvas - eu acabei aparecendo na TV como vítima disso tudo, coitado.

Ou

2) Minha total falta de criatividade em criar um título decente para esse post, que de fato demonstrasse toda a minha insatisfação com isso tudo que eu escrevi em cima a respeito da incompetência de nossos governantes.

Bem, você decide.

Só pra constar minha set list enquanto esperava no ônibus, assim como também no 53 (alguns discos eu ouvi inteiros):
Quatro, Los Hermanos
Afro-Sambas, Baden Powell
Abbey Road, The Beatles
OK Computer, RadioHead
África Brasil, Jorge Ben
Iê-iê-iê, Arnaldo Antunes
Cartola (1974), Cartola.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A respeito da vitrola...


Clube da Esquina, upload feito originalmente por Renan Costa.

Preciso de uma vitrola,
do braço da agulha,
de um disco de vinil.

Careço de uma viola
do interior do Brasil,
do morro pro asfalto,
da mulata de salto

Da segunda de carnaval,
das noites de festival.

Vejo o que ouço e não gosto,
Não ouço o que vejo e me prostro,
Esperando o disco rodar e o som chiar...

Preciso da música
escondida numa vitrola.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Qual que mais te apetece?


Qual que mais te apetece?, upload feito originalmente por Renan Costa.

Coloquei essa foto hoje no flickr, e a reproduzo aqui para vocês, caros leitores. Estava arrumando a minha prateleira e não resisti em fazer esta foto.

E sei que havia prometido a meu sócio que não postaria nada aqui enquanto ele não o fizesse, mas novamente sucumbi à tentação.

Mas a questão aqui é: e quanto a você? Que música enche os seus olhos?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Branco e Preto…

“… vou colecionar mais um soneto,
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração”

Tom Jobim e Chico Buarque

3698277205_5b64542d00_oPescador na Lagoa de Araruama.

saquarema pbPor-do-sol em Saquarema na companhia de preciosos amigos.

céu por papaiO sol há de brilhar mais um vez…”

Arcos da Lapa
“… pra tudo se acabar na quarta-feira…”

3657770666_4e6be79aab_o
Inverno.

fla maraca O mais querido…

girafas de ferro
Girafas de ferro, vistas da ponte.

3315586903_8f5fc848d5_o
“Je vais à la plage, avec des amis…”

icaraí p&b
“Lá fora está chovendo…”

3174984701_8e8d373039_o

SDC11531
Burocracia, repetição

3008559968_f46a0227f6_o“Sun, sun, sun, here it comes…”

Foi só uma desculpa pra deixar de lado os acontecimentos recentes, e apenas postar umas fotos por aqui, que têm em comum apenas a ausência absoluta de cores. Mais destas modestas imagens podem ser vistas no flickr.