sexta-feira, 10 de setembro de 2010

As cores de São Cristóvão

As fotos aqui postadas são de uma visita à feira de Tradições Nordestinas, no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. A impressão que me ficou é de que tradições nordestinas mesmo sõa muito poucas, mas ainda assim, as poucas que resistem são bastante agradáveis.

 

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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Boa Poesia

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Eu gosto é de boa poesia, daquela que me diz o que sou.
Gosto é de um bom poema que me leva ao céu, ao mar, aos rios, aos nossos muitos Brasis, a qualquer lugar.
Eu gosto de boa poesia, daquela que me faz pensar e despensar, amar e desamar.
Eu gosto é de me ver voar quando as leio, assim como se tivesse além de mim, no misto confuso se ser o que gostaria de ser, ou dizer o que queria ter dito.
Eu gosto é de um bom cordel encantado, uma boa rima rica ou pobre. Ah, seja o que for, eu gosto é de uma boa poesia.
Eu gosto é de senti-la, identificá-la na minha ideologia. É disso que eu gosto.
Eu gosto de uma boa poesia, daquelas que me faz sentir um ser coletivo, extinto, pobre ou rico. Gosto de ser político nelas, de ver-me engajado, eu gosto.
Eu gosto de poesia fina, triste, sutil.
Eu gosto de uma boa poesia, que me leva a ser tudo que sou, ou do que eu queria ser e não fui.
Eu gosto de uma boa poesia nordestina, daquela que deixa franzina, quando sinto que é sofrida a vida de meu povo, sertanejo, festeiro e sonhador, eu gosto.
Eu gosto mesmo é disso tudo junto, na mesma sintonia, como se retratasse a minha vida, seja ela qual for.

Leda Agnes Simões.

domingo, 30 de maio de 2010

Perdido na Selva

lost Esta semana Lost chegou ao fim, aquele que talvez seja o seriado mais comentado de todos os tempos. Durante seis temporadas aficcionou milhões de pessoas ao redor do planeta e colocou discussões antes restritas ao mundo geek, tais como viagem no tempo, tecnologias, ficção científica etc., em qualquer rodinha em mesa de bar. Pessoas fanáticas comentavam os mais recentes acontecimentos da série e levavam aquilo pras suas vidas como se realmente fosse algo de muito importante. E ai de quem ousasse questionar os últimos acontecimentos da série, ou simplesmente dizer que o texto era ruim, mal-feito ou coisa que o valha; este era sumariamente excluído das conversas, tratado como alguém menor. Ou seja, quando o assunto era a série, o sujeito ficava completamente lost – putz, desculpe, mas não resisti.

Admito que ao longo das últimas cinco temporadas de Lost eu me encaixei melhor nesse último grupo aí. Digo isso porque, logo assim que a série estreou, com a premissa fantástica de um avião que caía numa ilha perdida no  meio do Pacífico, e seus inúmeros sobreviventes tendo que lutar para continuar sobrevivendo, pensei que poderia ser um bom programa para se acompanhar na TV por assinatura. Digo isso porque, apesar de a TV paga ser uma alternativa à mesmice que impera na aberta, de um modo geral, hoje vê-se que não é bem assim, com o excesso de reprises, comerciais – comerciais em TV paga, como se fosse TV comum, chega a ser sacanagem – além de inúmeros canais de televendas. A gente acaba penando até mesmo para encontrar uma boa programação nas dezenas de canais que nós pagamos justamente para não termos que nos preocupar com isso.

Mas voltando ao assunto Lost, foi exatamente por isso que decidi acompanhar o desenrolar da série, e o fiz até o final da primeira temporada. Mas conforme o desenrolar da história, só  surgiam perguntas, mas nunca respostas – isso não é uma percepção exclusivamente minha. Aliás, todo mundo que acompanhou a série acha a mesma coisa, ou achou em algum momento. De modo que, assim como a muitas pessoas, isso me desestimulou a continuar acompanhando a história. Somado a isso o fato de que, mesmo quando a série teve início, jamais imaginei que pudesse ser tão longeva, afinal, os caras caíram numa ilha, perdidões. Não tem muito o que se fazer numa situação dessa. Daí pra inventarem uma suposta companhia que levou todos pra lá, dois irmãos com poderes mágicos que competiam pela ilha, números malditos que não significavam porra nenhuma, entre outras coisas surreais trazidas pela série, foi um pulo. Os criadores da série estavam ganhando rios de dinheiro pra escrever uma história sem pé nem cabeça, e que no entanto levava um monte de gente a passar horas discutindo dezenas de teorias conspiratórias para explicar o quebra-cabeças, que no final se revelou sem solução.

Mas a verdade é que, depois de acompanhar apenas a primeira temporada da série e nunca mais sequer dar uma passadinha pelo AXN pra saber como andavam as coisas lá pelo Pacífico, esta semana decidi ver como seria o último episódio. Pra garantir, assisti ao especial que antecedeu o último episódio, que tratou de explicar todos os acontecimentos da série que levaram até aquele ponto, daí que pelo menos pude entender em que ponto estava a história naquele momento. E admito que, apesar de a coisa toda não ter sentido algum, minutos antes do episódio começar já perguntava  a mim mesmo coisas do tipo “será que o Jack consegue matar o Locke?” ou “será que a ilha vai ser destruída?”.  Bem ou mal, é um  texto sem nexo algum, mas que consegue te prender. Tanto que enquanto assistia ao último episódio como se fosse o maior fã da série, sendo que até bem pouco tempo atrás desconhecia a metade dos personagens.

Mas aquela série que tinha todo um apelo sociológico – afinal, tratava-se de pessoas sozinhas numa ilha, tendo que encarar umas às outras e a si próprias – e também tecnológico – tinha viagens no tempo, números misteriosos, Dharma etc. – perdeu para a questão espiritual – a ilha como uma tampa de uma grande caixa de pandora, o irmão bom e o irmão mal, que por algum motivo tinham poderes etc. – e com isso, pude constatar que aquela pedra que o escritor norte-americano Stephen King já tinha cantado ainda na primeira temporada da série e os produtores fizeram questão de rechaçar logo de cara era a mais pura verdade: não tem esse troço de avião caindo em lha perdida no meio do oceano e tal. Na verdade, todos ali estão no purgatório, expiando seus pecados e esperando o momento de entrar no céu.

Isso foi uma das principais teorias levantadas quando a série surgiu, mas a produção da série fez questão de negar, e disse que se tratava de algo muito maior. Acho que na verdade eles não sabiam ainda o que queriam com aquilo, e foram enchendo linguiça por seis temporadas até perceber que a tese do purgatório era a que faria mais sentido depois de eles terem criado tantas coisas sem explicação – que por sinal, ficarão assim para sempre, já que a série terminou com muitas pontas soltas. Mas tudo pode ser explicado pelo simples fato de que era o purgatório mesmo.

A verdade é que esse final, se a série tivesse morrido ainda na primeira temporada, seria excelente. Mas depois de seis temporadas, tendo assistido apenas a primeira e o último episódio da última, dou graças pelo fato de que não precisei acompanhar os demais episódios, que se revelaram completamente desnecessários no fim das contas.

***

A educação familiar é algo muito importante na vida da pessoa. Penso que é de casa que se aprende muito, quase tudo, do que é necessário para ser uma pessoa íntegra, honesta, entre outros predicados. E disso não posso me queixar, meus pais me ensinaram muito bem. Coisas como não falar com estranhos na rua, dizer “obrigado” quando alguém lhe faz um favor, ou mesmo quando o fazem por obrigação – como agradecer ao motorista de ônibus, por exemplo.

Outra coisa que meus pais me ensinaram e eu carrego para toda a minha vida: não levar muita fé no que Caetano Veloso diz. Há algumas semanas, umas três, imagino, Caetano Veloso é  colunista do Segundo Caderno do Globo. Não obstante seja fã de sua obra, eis que autor de discos essenciais para minha formação musical, sigo à risca o que dizem meus progenitores. Daí que leio, leio e leio a coluna dele, mas não consigo dar muita bola pro que ele diz…

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Tragédia em Niterói

O blog vê-se obrigado, diante da tragédia que se abateu sobre o estado do Rio de Janeiro recentemente, a interromper o silêncio não deliberado a que havia se submetido. E nos manifestamos da forma que melhor sabemos nos expressar: através de imagens, que já nos dizem tudo.

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Agora resta saber que consequências tal evento terá nas próximas eleições – não apenas a deste ano, mas também as municipais, que serão em 2012. Isso porque vivemos sob o mesmo governo há mais de duas décadas – não se deve esquecer que entre eleição e reeleições, o atual prefeito também fez seu sucessor, João Sampaio, e cedeu espaço a Godofredo Pinto, seu vice em outra ocasião, em que decidiu concorrer à governadoria do estado.

Enquanto o prefeito Jorge Roberto Silveira deu preferência à construção de museus, muitos dos quais inacabados, pouco se fez quanto à ocupação desordenada das encostas da cidade, que viveu um processo de favelização sem precedentes – enquanto que o Censo de 200 do IBGE apontava que na cidade havia 43 favelas, em 2008, o município já apontava algo em torno de 130. Todas surgidas ao arrepio da legislação e da fiscalização.

Mas as pessoas não decidem construir em encostas, comprometendo sua própria segurança porque lá a vista é melhor ou porque gostam de correr riscos etc. Isso se dá pelo simples fato de que não há política habitacional séria no Brasil, que dirá em Niterói. Há aqui, isso sim, política habitacional para a classe média e alta, haja vista o sem número de prédios que foram construídos em Niterói nesses últimos anos, sem que houvesse o devido acompanhamento em investimentos na infraestrutura da cidade.

Enquanto isso vemos as desastrosas declarações de nossso prefeito na imprensa, buscando deixar claro que ele não pode ser responsabilizado por tal tragédia, eis que imprevisível. Afinal, chiva forte, combinada à falta de acompanhamento da prefeitura são ambos eventos da natureza, sem qualquer relação com o homem.

Por fim, espero que a louvável mobilização da população fluminense para ajudar os desabrigados da chuva não se converta em um evento para angariar votos da população necessitada. Posso falar isso porque como voluntário nessa tarefa aqui perto de casa, pude presenciar tentativas nesse sentido, que, graças a Deus não se concretizaram – ou pelo menos não se perpetuaram.

Essa tragédia há de ser respondida pela população nas urnas. Assim espero.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Seu Zé recomenda:

Eu sou fã do cara – aliás, devo muito a ele, já que posso dizer que aprendi a ler por causa dele. Bem, não dele exatamente, já que não me deu aula alguma – minha mãe se encarregou de tal tarefa – mas por causa de suas revistas.

Lembro-me até hoje de quando tinha por volta de cinco anos e via minha irmã mais velha ler com a maior satisfação do mundo as revistas da turma da Mônica. Ria de suas histórias, contidas naqueles balõezinhos, enquanto eu havia de me contentar com os desenhos e dali tentar extrair alguma coisa que fizesse sentido – para mim, até mesmo o conteúdo dos balões nao passavam de simples desenhos.

Minha mãe, sensibilizada com minha persistência em extrair alguma diversão daquelas páginas, mesmo sem entender o que tais códigos queriam dizer, dedicou seu tempo a ensinar-me a decifrá-los. Pouquíssimo tempo depois, lá estava eu, todo feliz, podendo ler as histórias por conta própria.

Aliás, isso me geraria uma imensa satisfação no ano seguinte, quando, ao ingressar na alfabetização, eu era a única criança da classe inteira que já sabia ler. Enquanto as demais crianças ainda aprendiam que “b” + “a” é igual à “ba”, a professora fazia questão de me levar pras outras turmas de alfabetização, e até da primeira série, para mostrar como eu, no começo do ano, já lia bem – como se fosse algum mérito dela.

Por essas e outras que penso que devo muito ao Maurício de Souza, que mesmo sem conhecê-lo, teve fundamental participação na minha formação educacional.

Mas seu Zé não pensa assim. De fato, mal ler ele sabe. Acha alguma graça das historinhas que lê nas tirinhas dos jornais, mas em geral as acha muito complexas. Por isso, sem pudor algum, ele recomenda a leitura do seguinte blog, esse sim enriquecedor, vasto de cultura e de visão crítica a respeito dos fatos. Ei-lo:

http://porramauricio.tumblr.com/

Vale a pena a visita – se você não se importar em ver suas lembraças pueris irem embora pelo ralo. Brincadeira…

Na verdade, o blog é uma resposta bem humorada a uma crítica feita pelo jornalista Dioclécio Luz no Observatório da Imprensa (você pode ler aqui), acusando a turma da Mônica de ser violenta e de ser um exemplo  claro de bullying, já que a fortona do grupo bate nos mais fracos e tem o controle da rua (ou da “lua”, pro Cebolinha), além de outras críticas específicas a outros personagens. Na verdade, eu acho que quem sofre o bullying na história é a Mônica, por ser baixinha, gorducha e dentuça, só que ela tem condições de se defender. Opiniões a parte, o blog foi feito por um cara que se assume fã das histórias do Maurício de Souza, mas nem assim perdeu a oportunidade de zoar. E o próprio Maurício já manifestou no twitter que se amarrou no blog. Então, dá uma olhada lá.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Branco e preto, volume dois.

Registros captados via celular de uma ensolarada tarde de domingo no centro do Rio – hoje mesmo, entre uma prova e outra que fiz. O título remete a outro post fotográfico do ponto e vírgula (clique aqui para vê-lo), de 10 de julho de 2009.

Durante o longo intervalo em que não tive nada pra fazer, além de almoçar, é claro, dediquei-me a tirar essas fotos, munido apenas de uma máquina de 3.2 megapixels e um pouco de coragem, afinal é o centro do Rio. Tá aí o resultado:

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E tudo acaba num pequeno bloco família na Praça XV…