terça-feira, 30 de junho de 2009

Pra que mesmo?

Nesse momento de overdose acerca da morte de Michael Jackson, cumpre postar aqui a capa de um memorável periódico carioca, que trouxe a fatídica notícia:

meia hora_michael

Mas não é esse o ponto nevrálgico da questão aqui (Jacko já rendeu um post aqui e por ora isso já é suficiente). A questão aqui é diferente. Esta, junto a outras inesquecíveis capas desse fantástico jornal nos leva à seguinte indagação: pra que ter um diploma mesmo? Isso, por si só, já dava um belo post, não? Parece que o STF não estava de todo errado afinal.

Ainda bem que o meu diploma serve para alguma coisa. Aliás, está lá no art. 133 da Constituição: o advogado é indispensável à administração da justiça. Foi mal aí, Thiago.

O destaque fica por conta do “bonde dos travecos” na parte inferior. Será que estavam procurando pelo Ronaldo? Meu Deus…

sexta-feira, 26 de junho de 2009

walkin’ on the moon…

Estava atônito. Não havia outra palavra para descrever isso. Era por volta de nove horas da noite, minha aula havia acabado de acabar. Ouço os comentários das pessoas, dizendo que não poderia ser possível isso, no que foram prontamente confirmados pelo rapaz que fica na secretaria do curso:

- É verdade, deu na TV. Foi infarto – ele proferiu tais palavras com uma tranquilidade, de modo que ainda assim recusei-me a acreditar.

Então liguei pra casa, e perguntei à minha imã se era verdade isso que eu tinha acabado de ouvir, e sem nem ao menos dizer do que se tratava ela me disse que sim, que ele havia morrido. O hospital teria demorado a confirmar alguma coisa, mas agora já era certo e definitivo: Michael Jackson morreu.

Nesse momento, esperando o ônibus pra voltar pra casa, passou-me pela cabeça um sentimento, tal qual um déja vù, evocando lembranças da minha infância, e de como me sentira quando soube da morte de pessoas que admirava, como Aírton Senna ou os Mamonas Assassinas. Aquele mesmo sentimento passava agora pela minha cabeça: o sentimento de perda de um ídolo, mas que na verdade, não o perdi agora; já o havia perdido ainda na minha infância.

Michael Jackson foi em seu começo de carreira solo, no começo dos anos 80, um revolucionário na música: suas gravações – com recursos altamente inovadores à época, e que repercutem na música negra de um modo geral até hoje, além do fato de ele próprio compor grande parte de suas músicas –, seu modo tão característico de dançar – talvez fosse sua melhor expressão – e seus videoclipes inovadores – numa época em que poucos artistas ainda se preocupavam com isso, ele já fazia os roteiros e escolhia seus diretores a dedo, dentre os quais até Martin Scorcese – o tornaram um artista completo, a ponto de receber a alcunha de rei do pop pela MTV, título nobre que lhe seguiu até o fim da vida.

A MTV fez e ainda faz muitos artistas, promovendo à categoria de ídolos sujeitos muitas vezes sem talento algum: basta sintonizá-la agora mesmo, que você verá uma série de rappers, emos e Britney Spears, e entenderá. Mas nesse caso fica patente que Michael Jackson foi um artista que fez a MTV, com seus clipes que representavam uma inovação à época – época em que poucos artistas tinham essa sacação do vídeoclipe como instrumento de marketing.

Esse período áureo dos anos 80 estão na minha cabeça como lembranças de algo que na verdade não vivi. Já vagueiam como imagens de um artista que havia entrado para a história da música, incondicionalmente. O Michael Jackson que eu me acostumei a ver era aquele dos anos 90, mais dado a excentricidades e escândalos do que propriamente à música, e que vivia à sombra do artista que fora uma década antes. E foi exatamente aí que não apenas eu, mas todos começamos a perdê-lo.

Mas o que ele fez pela música ficará indelével na história. A verdade é que, cá deste lado do blog, todos achamos Michael Jackson um artista sensacional. Ponto! Quer dizer, ponto e vírgula: até porque a parte dele ser acusado (e inocentado, diga-se de passagem) de abusar de criancinhas não é exatamente algo bom – se bem que uma pessoa negra passar a ser totalmente branca não é também exatamente normal, mas partindo do pressuposto que ele tinha vitiligo e não que isso fosse resultado de seu caráter meio errante, tudo bem.

Pois bem, voltando à linha cronológica de minha história, subo no ônibus e escuto, antes mesmo de dar “boa noite” à trocadora:

- Morreu, morreu, antes tarde do que eu!

Pois é, o problema é que nem foi tão tarde assim…

***

O ponto e vírgula é fã do cara e do que ele fez pela música, como um todo. E, parafraseando uma de suas próprias músicas, don’t (sic) matter if he’s black or white, he’ll always be the king of pop.

Aliás, apesar dessa referência, sinto dizer que não há como escolher apenas uma música dele para ilustrar esse post.

***

Tenho suspeitas de que a morte de Michael Jackson tenha sido um complô armado pelo Sarney e pelo Ahmadinejad, presidente do Irã. Repara só, ninguém mais fala neles. Acho que, pelo menos agora, eles nunca foram tão fãs do rei do pop.

in dê lefiti, in dê ráit, from berraind…

Ficam aqui registrados os nossos parabéns a Joel Santana, técnico da África do Sul nessa Copa das Confederações. Não imaginávamos que o técnico preferido de última hora dos clubes cariocas conseguisse alçar voos tão grandes além-mar.

A seleção brasileira teve que suar pra conseguir vencer a África do Sul, já quase no fim do jogo, com um gol de falta, pelo simples fato de não conseguir chutar quase que o jogo inteiro, tendo em vista o esquema armado por Joel, que fez com que os “bafanas bafanas” estivesse completamente fechada, mas ainda assim conseguisse encontrar espaços na defesa brasileira pra contra-atacar.

No fim das contas, conseguiu levar a África do Sul a um patamar inédito – corrijam-nos se estivermos errados – em termos de competições internacionais organizadas pela FIFA, disputando um honroso terceiro lugar.

E quanto às críticas por conta de seu inglês esquisito, novamente damos os parabéns, eis que não é fácil pensar que ele está lá há apenas um ano, ou um pouco mais, e já consegue se expressar em inglês e o que é mais difícil, entender o que lhe perguntam. Isso tudo considerando que não falava nada de inglês quando chegou lá e também a sua idade, que já não contribui para o aprendizado de novas línguas.

Portanto, reiteramos os parabéns à Joel Santana, mesmo sabendo que, apesar da imensa massa de leitores que tem este blog, ele não nos lerá: The equipe is very good.

Joel e seu memorável inglês...

E pra mim aquela que será a imagem desta Copa das Confederações:

O melhor é a narração do Galvão Bueno...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

das pequenas coisas – vol. I

super menino

A incrível história do super-herói  que se esqueceu delas…

Havia na cidade um super-herói, protetor dos incautos cidadãos, e que os mantinha longe de qualquer perigo. Perseverava noite e dia em busca da paz e felicidade de todos.

Acostumado a feitos heroicos – não poderia ser mais propício, em se tratando de um super-herói –, tais quais salvar a cidade de vilões poderosos, catástrofes naturais, hecatombes nucleares e afins, eis que nosso herói um dia se cansou. Lutava, mas não via fim para a maldade que havia; achava que já fora feito tudo que podia e que agora poderia passar a capa para outro mais jovem – já havia outros como ele, visto que sua bravura inspirou e fez com que outros resolvessem agir também.

Depois de anos trabalhando pelos outros, resolveu dar um pouco mais de atenção a si, pendurando de vez o uniforme. Deixou a cidade nas mãos dos mais jovens, posto que estes teriam mais disposição e condições de protegê-la. E assim se seguiu por alguns meses: os heróis mais jovens cuidavam da cidade, enquanto o nosso super-herói tomava conta de si.

Por um tempo, a paz permaneceu instaurada e nosso super-herói deixou a cidade pra trás e tratou de viajar, percorrer cidades, planetas e galáxias onde até então nunca tinha ido, ao lado da mocinha, com quem nunca se envolveu por achar que nunca teria condições de protegê-la o suficiente – talvez fosse melhor que ela vivesse com outro, que pudesse se dedicar integralmente a ela. Mas agora que ele não tinha ocupação alguma, poderia arriscar.

Mal sabia que os mais jovens não tinham o mesmo conhecimento que ele, e com pouco tempo puderam ser facilmente dominados pelos vilões – aqueles heróis que não o foram não foi por conta de seus poderes e competência, mas porque foram facilmente corrompidos pelo mal. Com isso, foi estabelecida na cidade um período de trevas e muita tristeza, em que os poucos heróis livres que restaram se tornaram coniventes com as vilanias praticadas e com o estado de tirania imposto pelos vilões.

A população não entendia o porquê de nosso super-herói ter dado as costas à cidade em momento tão crítico, e o mesmo sequer se comovia – apesar de ter conhecimento de tudo pelos jornais –, eis que imaginava que seu tempo já tinha passado. Os novos aprenderiam com o tempo que a labuta é difícil, porém necessária, e que com o tempo, tudo se acertaria.

Os cidadãos, por sua vez, a princípio imaginaram que o nosso super-herói se redimiria e, tal qual um redentor, ressurgiria imponente e invencível, venceria todos os vilões e reconquistaria seu lugar nos seus corações. Mas o tempo foi passando e isso não acontecia. Com isso ficaram ressentidos: como pode alguém que por tanto tempo admiraram hoje dar-lhes de ombros, indiferente aos seus apelos?

Continua…

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Além do que se ouve…

Era algo por volta de onze meia, já me encontrava na barca na volta para Niterói – contando o tempo no relógio, pois que ainda tinha um aniversário para ir. Mas felizmente consegui chegar a tempo e dar os parabéns às aniversariantes. No entanto, o que presenciara há pouco não me saía da cabeça.

Pois bem, pensei em começar esse texto do fim, e daí partir até chegar ao começo, mas vi que não sou tão bom nisso quanto imaginei. Então, com o perdão do pleonasmo, comecemos do começo.

Era quase 10h da noite quando a barca atracou na Praça XV. Exatamente a hora para qual estava marcado o evento, mas ao chegar lá, ainda demorou um pouquinho pra começar; estavam ainda afinando os instrumentos. Depois de um dia inteiro regado a samba e feijoada e amigos, e ainda outro aniversário pra ir, minhas pernas pediam apenas um pouco de descanso, mas tudo bem.

Por volta de 10h15, eis que ele adentra o palco, guitarra em punho apenas, inaugurando os trabalhos com “Passeando”, música que não poderia ser mais emblemática desta sua nova fase profissional, eis que, após uma larga introdução na guitarra, conta com estes poucos versos que transcrevo:

“E lá vai deus sem sequer saber de nós
saibamos pois
estamos sós”.

Pois desta vez, Marcelo Camelo estava só; não contava com seus hermanos no palco, mas apenas com uma banda de semi-barbudos (parece ser prerrequisito, ou pré-requisito*, fiquei na dúvida quanto à grafia correta), muito boa, aliás.

Mas ao contrário do que possa parecer, ele não foi imotivadamente abandonado por seus amigos – creia-me, eu entenderia bem se fosse o caso –, mas quis assim; a banda entrou em recesso, ele lançou um disco, e igualmente lançou-se em carreira solo. E pela primeira vez pude conferir in loco o resultado, e posso aqui afirmar, sem receio: no fim das contas, foi muito melhor do que eu esperava.

Fui para lá sem alimentar muitas expectativas a respeito do show, pois para mim, o disco solo dele (Sou) é bom – nada espetacular –, mas em nada se compara aos Los Hermanos. Mas admito que me surpreendi um pouco. O violão, que sobra no disco dele, foi trocado em algumas músicas pela guitarra, o que deu uma melhor dinâmica para a apresentação ao vivo.

E ele ainda consegue em algumas músicas o que no show dos Hermanos acontecia do início ao fim: ter a plateia cantando junto todos os versos. Isso aconteceu em algumas músicas dele, e em todas as poucas dos LH que ele cantou – essas, aliás, as pessoas presentes ao show já reconheciam com uns poucos acordes, podendo-se entreouvir frases do tipo: “é a música tal que ele vai tocar” ou “essa é dos LH”.

Aliás, o ponto alto do show para mim foi justamente uma música dos Los Hermanos, deixada justamente para encerrar aquela apresentação. Trata-se de “Além do que se vê”, uma bela música, mas que para mim sempre teve muito mais força ao vivo nos shows do grupo do que no disco.

Ele começa a canção no violão, sentado num banco e sendo levado pelas vozes na plateia, dando a entender que seria apenas uma versão acústica de uma de suas músicas, até que entra a banda (exatamente no momento em que se canta: “e a turma diz: assim é que se faz”), e no belíssimo momento instrumental, ele troca o violão pela guitarra e segue tocando com a banda. Nesse momento vê-se umas três guitarras no palco, mais teclado, baixo, percussão e trompete, fazendo um som fantástico, e levando os presentes a uma catarse sonora.

De repente, ele tira a guitarra de seus ombros, levanta-a sobre a cabeça como um troféu e agradece ao público presente simplesmente. Despede-se e vai embora, enquanto os músicos que o acompanham continuam naquela sinfonia no palco, até que, um a um, os músicos acenam para o público e se retiram. E nós, daqui de baixo, vemos a música se desconstruindo e o show acabando.

Realmente, foi melhor do que eu esperava. Descobri que o show está muito à frente do disco e vai, de fato, muito além do que se ouve naquela bolachinha.

O vídeo abaixo foi feito na Virada Cultural de SP – não achei nenhum feito no Viradão Carioca – mas vale a pena ainda assim, porque deixa um gostinho de como foi no sábado.

*minha dúvida consiste em que já há, na língua portuguesa, antes mesmo do novo acordo ortográfico, pré-requisito e prerrequisito, só que este último era muito pouco utilizado, pra uma situação específica, enquanto o outro era mais genérico. Agora como fica? Isso podia ser um outro post, mas agora deixa pra lá…

sábado, 30 de maio de 2009

Ô psit!

Tenho que admitir que todos os dias, pela manhã, não me contenho e ligo a televisão no Sportv, pra assistir ao meu mais novo programa imperdível: Redação Sportv.

O programa é uma mesa-redonda um pouco diferente das usuais. Digo isso porque as discussões baseiam-se única e exclusivamente nas notícias dos jornais do dia, sem técnicos ou jogadores convidados, esbaforidos e/ou com sanha de aparecer na televisão, mas apenas jornalistas e pessoas do meio. Vez ou outra tem a participação de um técnico ou cartola aqui, um jogador acolá, mas as vozes predominantes são mesmo as dos jornalistas, dentre os quais destaca-se um de quem sou fã: Renato Maurício Prado. Colunista do jornal “O Globo”, ele normalmente escreve de forma bem ácida, mas honesta. O problema é que nem todo mundo gosta de ler a verdade – cartolas, principalmente.

Ele não tá lá todos os dias, mas o programa fica mais divertido quando ele aparece. Não perdoa ninguém, mas também não conta nenhuma mentira – Obina que o diga. Tenho até algumas suspeitas de que esse jornalista torça para o Flamengo. Digo isso porque é um dos times dos quais ele mais fala (para o bem e para o mal), mesmo quando não tem muita coisa acontecendo lá pela Gávea. Mas deixa isso pra lá.

O programa tem ainda um nerd futebolístico de plantão, que toda semana tá lá pra dar dicas a respeito do Cartola F. C., quem tá mandando bem e quem não tá etc.

Admito que o programa é muito bom, mas não é apenas isso que me mantém diante da tv todas as manhãs, abrindo mão dos meus desenhos preferidos – brincadeira. O programa não seria o que é hoje se não fosse conduzido por um espetacular apresentador: ninguém menos que Marcelo Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumo Barreto, mais conhecido pela simples alcunha de Marcelo Barreto.

O cara é a cara do Didi Mocó nos anos 70 – a melhor época dos Trapalhões, diga-se de passagem. Suspeito de que se trate de um filho bastardo do humorista, ou coisa parecida. Fato é que, para um fã da formação clássica do humorístico, acho que assistir ao Redação Sportv todas as manhãs me remonta a recordações pueris que só os Trapalhões puderam me proporcionar.

Ou seja, o programa simplesmente é apresentado pelo filho do Didi – ou o melhor sósia daquele Didi dos anos 70 que já se viu. Confere aí:

marcelo_barreto trapalhões
Bem, o Didi é o da direita. Ou seria esquerda?

***

À procura de fotos no Google que pudessem ilustrar esse post, descobri que o cara já era há muito zoado na internet – essa terra de ninguém – por conta dessa inusitada semelhança. Portanto o ponto e vírgula não descobriu o Brasil, admitimos isso. Mas não custa zoá-lo um pouco mais. Olha essa:

Marcelo Barreto Didi Moco

Não poderia ser mais propício ouvir O meu guri, do Chico Buarque.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Democracia do Samba

quinta do parque

Depois de um breve tempo afastado das rodas de samba e congêneres, tive há duas semanas a oportunidade de ver in loco a apresentação da Velha Guarda da Portela. Apesar de sem vontade alguma de sair naquela sexta e completamente fatigado, fisica e psiquicamente, eis que decidi comparecer ao evento. Não que a Velha Guarda da Portela seja alguma novidade – já os havia visto antes – mas naquele dia em especial me emocionou.

Fiquei perto da mesa observando aqueles senhores cantando e contando suas vidas, naquelas músicas de poesia simples, porém muito bela. Mas a inspiração para esse post veio de algo que li uma vez no jornal, se não me engano, a respeito do samba e de como este ritmo musical tão característico do Brasil é também tão democrático, e talvez resida aí o motivo de tamanha popularidade entre os trópicos.

Explico: o samba, assim como grande parte dos ritmos musicais, fala de amor, relacionamentos etc e tal, em grande parte de suas músicas. Lógico, há também no samba muito do que chamaria de “metamúsica” ou “metassamba” (inventei isso agora), que são sambas que falam do próprio samba, talvez como uma afirmação do ritmo, que foi criado por escravos e muito perseguido no começo – mas isso é história pra outro dia.

A questão é que, ainda que fale de amores, traições, dores-de-cotovelo e afins – e ainda tem a cuíca, que apesar de essencial, tem um som triste –, assim como diversos outros gêneros musicais, como o tango, por exemplo – as canções de Gardel são tristíssimas – o samba sempre evoca no incauto cidadão que esteja por perto uma incontrolável vontade de sair cantando por aí, mesmo que não se saiba a letra. Estar ao redor de tamborins, cavacos e violões acaba fazendo isso com a grande maioria das pessoas – é bem verdade que há aquelas que nem se coçam, mas aí ou é ruim da cabeça ou doente do pé.

E o motivo disso é simples: o “lá lá lá”. Vocês podem achar que é perseguição do blog, afinal o “lá lá lá” já foi tema de outro post antes. Mas não é! É inegável que isso faz toda a diferença, pois permite que o samba seja alcançável por qualquer pessoa, independente de saber a música ou não, de classe social, ou qualquer outro conceito que se queira utilizar. Nem preciso falar do sentimento em si que o “lá lá lá” causa nas pessoas em geral – isso já foi bastante exposto no outro post.

Mesmo que se trate da música mais triste, com a letra mais devastadora, em termos sentimentais – e olha que exemplos não faltam, em compositores tais como Nelson Cavaquinho, Cartola, Paulinho da Viola, Jovelina Pérola Negra, Jorge Aragão, até mesmo Zeca Pagodinho, e por aí vai –, ainda assim, o cantor consegue fazer com que todos o acompanhem, ainda que seja apenas na parte do “lá lá lá”; é justamente aí que reside o conceito democrático desta manifestação musical brasileira, que normalmente faz com que os demais ritmos não garantam tamanha satisfação popular: todo bom samba que se preza tem um bom “lá lá lá” – ainda que em suas versões originais não as tenham, em uma roda de samba acabam ganhando –, que dura tempo suficiente, ainda que breve, pra fazer a pessoa se levantar da cadeira e cantar junto.

Além disso, há a beleza que tais composições apresentam, com poesias à altura dos maiores trovadores e harmonias e arranjos à altura dos maiores maestros, feitas, no entanto, por gente simples, e que durante muito tempo de suas vidas não podiam contar com a música como seu principal ofício e ainda assim conseguiram deixar uma marca indelével na cultura brasileira. Também acho que isso talvez seja tema pra um outro post, que por si só, poderia encher uma página deste blog. Mas não há como negar que quando pensamos nessas pessoas, como os compositores já citados, ou a Velha Guarda da Portela, da Mangueira, ou seja de que escola for, devemos sempre respeitar quem soube chegar onde eles chegaram.

Putz! Ouvindo muita coisa agora ao mesmo tempo… Pra citar algumas: “Pra fugir da saudade”, de Paulinho da Viola, “Pressentimento” de Elton Medeiros, “O poder da criação”, de João Nogueira, entre outras. Mas pra hoje fico com “Sorriso aberto” da Jovelina Pérola Negra, na versão do Fundo de Quintal, que acho que representa bem esse tipo de samba com letra triste, mas que ao mesmo tempo é também um exemplo do “metassamba” que me referi acima.

domingo, 17 de maio de 2009

Velhinho de ouro…

wrestlerposter1

Tratava-se, pois, da última sessão, no último dia, de modo que seria daquela vez ou nunca mais. Nunca mais também não, pois dentro de muito em breve se veria nas prateleiras das locadoras, mas aí a magia do cinema já estaria morta – não haveria mais como se resgatar o prazer de ver o filme em uma tela grande.

Tá certo que o cinema da Uff não é exatamente uma propriedade em termos de qualidade de projeção, eis que comumente a projeção falha, o som fica fora de sincronia ou mesmo se avista microfones no alto da tela – aliás, quando vir algo assim, não se assuste, nem saia falando mal do filme por aí, tipo “que porcaria, como o montador deixou passar uma cena daquelas?”, já que nas muitas das vezes, pelo menos em se tratando de cinema da Uff, o problema pode estar na sala de projeção, e não no filme em si. Pode ser simplesmente questão de se corrigir a projeção, tarefa de quem fica lá naquela salinha.

Mas conjecturas à parte a respeito da qualidade da projeção em si, a verdade é que o cinema da Uff é um oásis em meio ao deserto em que se transformou Niterói, em termos de opções cinematográficas. Poucas opções de cinema de qualidade – sejamos sinceros, a única opção nesse sentido é o Cinemark – e ainda nestes, apenas os blockbusters da vez. Nada contra os blockbusters, muito pelo contrário, são filmes para serem vistos no cinema mesmo, onde eles podem expor de forma maximizada sua finalidade precípua: entreter. Particularmente, me amarro em ir ao cinema ver explosões, e efeitos especiais, cenas de luta e tal; não há lugar melhor para isso.

Mas acho que cinema não se resume a isso; e quando você tem interesse em ver qualquer outro tipo de filme que não se encaixe nesse padrão, só lhe resta atravessar a ponte, pois com certeza, qualquer filme que você quiser ver estará em cartaz em algum cinema de Botafogo, desde os maiores blockbusters da temporada, até aqueles com menos apelo comercial que artístico – como, por exemplo, esse documentário do Simonal. Alguém achava que fosse estrear em circuito aqui em Niterói?

Lembro-me de, durante o carnaval, quando “O Lutador” fora lançado, estar em Santa Teresa, na entressafra de blocos – Carmelitas já havia passado, e corria à boca pequena que outro, que não lembro o nome, estava para começar – mais exatamente naquele Largo dos Guimarães, local onde funciona o único cinema do bairro. Ali fiquei pensando: em toda a cidade de Niterói não havia um único cinema que exibisse esse filme; no Rio, porém, até mesmo no único cinema de Santa Teresa se poderia vê-lo. Mas isso é uma discussão pra outro dia.

Após essa pequena digressão de quatro parágrafos, volto à história: apesar de todas as inovações tecnológicas proporcionadas pelas telas de lcd, dvd’s, pay-per-view por controle remoto etc, nada é capaz de substituir o prazer de se assistir a um filme no cinema, ainda que numa projeção tão deficitária quanto a da Uff. Por ser a última oportunidade de fazê-lo, não hesitei em rumar ao cinema, para a sessão de 16h30, ainda que ela pudesse me custar preciosos minutos na aula do curso que faço às 19h no centro do Rio – digo isso porque tenho o péssimo hábito de não anotar nada da aula quando eu chego lá e o professor já começou. Não sei explicar ao certo o porque disso, mas nesse dia consegui chegar a tempo e anotar tudo.

Mas a aula quase perdida não é o tema deste post.

É certo que as quase duas horas de projeção realmente valeram a pena. “O Lutador” realmente representa a ressureição de Mickey Rourke, como se pode ler no cartaz acima. É bem verdade que não lembro de nenhum filme que ele tenha feito na década de 80 que tenha se tornado antológico – de fato, não lembro de qualquer filme assim de cabeça, a não ser “Sin City”, que é bem recente. Mas isso não muda o fato de que realmente a interpretação dele é surpreendente. Ele consegue em um mesmo filme passar de Arnold Schwarzenegger a Tom Hanks, às vezes em até uma mesma cena. Ver um cara daquele tamanho chorando em uma cena do filme é espantoso.

O elenco todo manda muito bem, assim como a direção também consegue retratar muito bem a brutalidade do mundo da luta-livre, assim como a sensibilidade no coração daquele homem. E ainda tem Evan Rachel Wood como a filha dele, que vale cada (pouca) cena em que ela aparece.

Saí do cinema correndo pra tentar a alcançar a aula a tempo, porém com a sensação de que fiz bem. E dessa vez tenho que concordar com meu amigo Charlles: a música dos Guns’n Roses nunca se encaixou tão bem em um filme.

Podia ser Guns, mas como não curto muito, ouço Take it easy, my brother Charles, do mestre Jorge Ben.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Para o infinito e além…

O próximo passo, pode esperar, é um perfil no facebook. Aí sim o blog estará completo.

***

E acabei de ver na Folha que o Buddypoke, aquele bonequinho porre no orkut, passou a manhã toda fora do ar, afetando a milhões de usuários; nas palavras do próprio jornal, “o BuddyPoke tem 34 milhões de usuários no Orkut, sendo 98% no Brasil”.

Agora você vê: mais ou menos 34 milhões de pessoas não puderam expressar suas emoções por meio daqueles avatares bizarros, causando assim um irreparável dano aos mesmos, no sentido de que pode tê-los prejudicado em suas relações sociais, impossibilitando a edificação de sólidas bases afetivas etc.

Mas aí me pergunto: o que aconteceu com a forma tradicional de se expressar emoções?

Pensando melhor, próximo passo do blog: avatar no buddypoke. Como ficaria? Tenho até uma sugestão: Marvin, o paranoid android do Guia do Mochileiro das Galáxias, cabeçudo como os avatares e reclamão como os coautores do blog que vos escrevem.

marvin paranoid android